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MEU PERFIL


Nome: Rubens Duprat

Quem Sou Eu:
Aluno de Letras na USP, webdesigner, revisor de textos, auxiliar administrativo num hospital, quadrinhista cheio de projetos mas atualmente parado por falta de tempo, cineasta iniciante, estudante de animação 3D e 2D, péssimo dançarino, fã absoluto da cultura pop e namorado apaixonado de uma garota muito meiga!





































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PERFIL DO
MEU AVATAR



Apelido: Criatura Pop

Quem É Ele:
Como todo avatar, é a representação de seu criador, no caso eu, em outros mundos, no caso os mundos da Internet e da cultura pop em geral. No entanto, como às vezes parece que eu passo mais tempo nesses mundos do que no mundo que chamamos de real, chego a imaginar que talvez eu é que seja o avatar dele...









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Histórico:
25/06/2006 a 01/07/2006
28/05/2006 a 03/06/2006
16/04/2006 a 22/04/2006












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Meus 20 Filmes Favoritos:

1. Quero Ser Grande

2. SOS Tem um Louco Solto no Espaço

3. O Gabinete do Dr. Caligari

4. De Volta Para o Futuro Parte 2

5. Curtindo a Vida Adoidado

6. Tempos Modernos

7. Janela Indiscreta

8. Monty Python O Sentido da Vida

9. Tudo Que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo Mas Tinha Medo de Perguntar

10. O Mágico de Oz

11. Cantando na Chuva

12. Nos Tempos da Brilhantina

13. ...E o Vento Levou

14. Os Fantasmas Se Divertem

15. O Panaca

16. Harry e Sally Feitos Um Para o Outro

17. O Auto da Compadecida

18. Cidade de Deus

19. O Senhor dos Anéis O Retorno do Rei

20. Kill Bill Volume 1







Homenagem:

Bussunda
1962-2006

Humorista de peso, em todos os sentidos. Um dos criadores da TV Pirata e do Casseta & Planeta. Dono de uma expressão facial hilária. Vai deixar saudades.















































































































   



































































































Clique e leia a minha mais recente HQ:






























Próxima atualização prevista deste blog: Segunda-feira , 7 de janeiro de 2008
(Devido aos meus estudos de animação 3D, o blog não terá atualizações em 2007)

Próximos assuntos possíveis:
A História da TV Pirata
Mel Brooks, o Rei da Paródia


































Sábado , 1 de Julho de 2006


Do Anel dos Nibelungos ao Senhor dos Anéis


O poema épico A Canção dos Nibelungos é considerado a Ilíada germânica. Enquanto o poema grego foi escrito por alguém identificado pelo nome de Homero por volta de 725 A.C., seguido pela não menos célebre obra Odisséia, A Canção dos Nibelungos é datada do século XII D.C., e seu autor permanece anônimo. Nesse poema é contada a história do lendário cavaleiro Siegfried. Capaz de feitos grandiosos como derrotar um dragão, tornando-se invencível após banhar-se em seu sangue, e se apoderar do infindável tesouro dos anões conhecidos como nibelungos, Siegfried não sabe que um destino terrível o espera a partir do momento em que se apaixona pela doce e bela princesa Kriemhild do reino de Worms. Para desposá-la, o herói faz um trato com o rei Gunther de ajudá-lo a conquistar a rainha guerreira Brünhild, mesmo usando de trapaça para fazê-la acreditar que ele fosse digno de ser seu esposo. Os casamentos acontecem, mas Brünhild, mais tarde, ao descobrir que fora enganada pelos dois, exige ao rei a cabeça do cavaleiro. É quando o leal soldado Hagen se incumbe de assassinar Siegfried, o que faz aproveitando-se de seu ponto fraco, a única região de seu corpo que não havia sido banhada pelo sangue do dragão por estar coberta por uma folha. A morte de Siegfried, então, desencadeia em Kriemhild uma fúria vingativa que a leva a matar não apenas Hagen, mas também sua própria família, com a ajuda de Átila, o Huno.

A saga de Siegfried vem sendo contada oralmente desde os primórdios da civilização alemã. Foram várias as versões escritas, incluindo, além do poema A Canção dos Nibelungos, as versões nórdicas Edda Poética, Edda em Prosa e Saga dos Völsung, que diferem daquela principalmente por se aprofundar muito mais na história do lendário cavaleiro.

No entanto, a versão mais famosa talvez seja a ópera alemã O Anel dos Nibelungos, composta por Richard Wagner no século XIX, cuja principal fonte são justamente essas versões nórdicas. Dividida em quatro partes (O Ouro do Reno, As Valquírias, Siegfried e Crepúsculo dos Deuses), a ópera apresenta a gênese da humanidade e a decadência dos deuses através da história de um anel amaldiçoado capaz de dar grande poder a quem o possuir. No intuito de recuperar o anel perdido, Odin cria uma raça de semideuses da qual se sobressaem os gêmeos Siegmund e Sieglinde, que se tornam pais de Siegfried. Como punição pela relação incestuosa, Odin manda que Brünhild, aqui uma valquíria, mate Siegmund, mas ela decide poupá-lo, e é punida perdendo sua imortalidade e sendo aprisionada no topo de uma montanha envolta por chamas. Siegfried, já crescido, é quem a resgata, e os dois se apaixonam. Porém, ele já estava de posse do anel amaldiçoado, tomado do dragão Fafnir, e isso desencadeia a tragédia que tem início na quarta parte da ópera, quando ele toma uma poção mágica oferecida por Hagen, aqui meio-irmão de Gunther e filho do anão Alberich, que havia cunhado o anel. A poção faz com que Siegfried se esqueça de Brünhild e se apaixone pela irmã de Gunther, aqui chamada de Gutrune. Como em A Canção dos Nibelungos, o herói ajuda Gunther a se casar com Brünhild e acaba morto por Hagen, mas a ópera termina com Brünhild se jogando na pira funerária para morrer junto de Siegfried. O rio Reno transborda até eles e o meio-anão Hagen morre afogado ao pular na água tentando recuperar o anel. O céu em chamas simboliza o Ragnarok, ou seja, o fim do reino dos deuses.

Essa versão foi a obra que mais influenciou o inglês J.R.R. Tolkien, estudioso de língüas antigas e professor da Universidade de Oxford, na criação da célebre trilogia O Senhor dos Anéis, publicada pela primeira vez entre 1937 e 1955, na qual, inclusive, a criatura Gollum termina de maneira semelhante a Hagen, mergulhando na lava de um vulcão na tentativa de recuperar o anel amaldiçoado.


(continua no post abaixo)


Postado por Criatura Pop às 21h50 [] [Envie esta mensagem]




Do Anel dos Nibelungos ao Senhor dos Anéis

(continuação do post acima)


Em 1924, o cineasta alemão Fritz Lang decide fazer sua versão da lenda dos nibelungos. Já consagrado por ter dirigido sucessos de público e crítica como A Morte Cansada (onde a Morte já aparece personificada, muito antes do também clássico O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman) e Dr. Mabuse, o Inferno do Crime (primeiro de uma série de thrillers policiais), ele realiza uma verdadeira superprodução para os moldes da época, Os Nibelungos um épico de mais de três horas de duração, dividido em duas partes: A Morte de Siegfried e A Vingança de Kriemhild. Um filme mudo e bastante longo, sim, mas ainda hoje empolgante, repleto de imagens belíssimas, com destaque para o jogo expressionista de luz e sombras, com utilização da oposição entre claro e escuro para representar o estado emocional dos personagens. Outro destaque é o jogo de linhas, usado com o mesmo objetivo, tanto nos figurinos quanto nos cenários. Fritz Lang, antes de se tornar diretor, havia sido arquiteto e pintor, e usava essas habilidades com maestria em seus filmes. Os Nibelungos é um marco, chegando a chamar a atenção do ditador Adolf Hitler, que quer Fritz Lang como diretor dos filmes de propaganda nazista, motivo pelo qual o cineasta foge do país, pois, sendo um humanista, odiaria compactuar com o nazismo. Sua ex-esposa, Thea von Harbou, no entanto, co-autora de muitos de seus roteiros, aceita o convite de Hitler.

Embora Os Nibelungos se baseie quase que em sua totalidade no livro A Canção dos Nibelungos, reproduzindo a fábula com muita fidelidade, a apresentação de Siegfried no início do filme é mais próxima da ópera de Wagner. O herói não aparece com seus pais no reino de Xanten, e sim entre os anões, aprendendo a forjar espadas com Mime, personagem que não existe no livro e que, na ópera, foi responsável por sua criação a partir da morte de seus pais. Siegfried não chega a matar Mime como na ópera, mas se zanga com os anões quando eles zombam de seu desejo de se casar com Kriemhild. O filme mostra o caminho de Siegfried até Worms, incluindo seus célebres feitos de matar o dragão, tornando-se invencível após banhar-se em seu sangue, e de se apoderar do tesouro dos nibelungos, episódios que, no livro, são apenas mencionados pelo personagem Hagen.

Com relação às damas Kriemhild e Brunhild, são poucas as diferenças entre o livro e o filme. A principal diferença é que o filme poupa a personagem Kriemhild de ser mostrada exatamente como a assassina cruel que aparece no livro, embora não chegue a legitimar suas ações. No filme, ela é mais romantizada, mesmo na segunda parte, quando se transforma de princesa meiga em rainha vingativa. Tanto é assim que, no final, seu marido Átila não fica tão horrorizado diante do que ela fez e ela não é assassinada por isso como no livro. Em vez disso, ela morre espontaneamente, e Átila apenas lamenta a tragédia, o que ameniza um pouco o acentuado machismo da história original. Além disso, no filme não é Kriemhild quem mente dizendo que foi Siegfried quem tirou a virgindade de Brunhild, e sim a própria Brunhild.

Já Hagen, o mais sábio e poderoso vassalo do rei Gunther, no filme é comparado diretamente ao deus Wotan, a começar por seu visual, que em nada lembra o meio-anão que aparece na versão de Wagner. Wotan, de acordo com a mitologia germânica, é o deus da sabedoria, da guerra, da morte e da caçada. Diz a lenda que Wotan perdeu seu olho nas águas da fonte de Mimir para ganhar a sabedoria dos séculos. Ele possui um par de corvos, Huginn e Muninn, associados respectivamente a pensamento e memória, que viajam pelo mundo para lhe trazer informações. Wotan é também relacionado à lenda da Caçada Selvagem, que diz respeito a um grupo de caçadores fantasmas que, ao ser visto nos céus, é o prenúncio de alguma catástrofe. Wotan seria o líder desses caçadores. O personagem Hagen, no filme, é ligado a Wotan não apenas por aparecer como um guerreiro de um olho só, mas também por estar associado à sabedoria, à guerra, à morte, à caçada e até mesmo aos corvos, que aparecem num sonho de Kriemhild perseguindo uma pomba, como prenúncio do assassinato de Siegfried por Hagen e Gunther. É o próprio Hagen quem idealiza e comanda a falsa caçada que vai levar ao assassinato e, por extensão, à guerra iniciada por Kriemhild contra seus próprios familiares.

Curiosamente, o próprio Fritz Lang, que logo em seguida se consagraria ainda mais dirigindo a ficção científica seminal Metrópolis e o suspense M, O Vampiro de Dusseldorf, também possuía um detalhe físico que lembrava o deus Wotan: era cego de um olho, devido a um acidente durante a Primeira Guerra Mundial, na qual havia lutado como oficial do exército austro-húngaro, tendo escrito seus primeiros roteiros de cinema enquanto se recuperava. Um de seus temas mais constantes é o do ser humano pacato levado a se tornar furioso numa vingança sem sentido, como Kriemhild em Os Nibelungos.

Mas não foram só Fritz Lang e J.R.R. Tolkien que se consagraram ao apresentar suas versões da lenda germânica, em contraste com a de Richard Wagner. Toda uma nova forma de arte e lazer, o RPG (sigla de roleplaying game, que significa jogo de representação) surgiu a partir de jogos de tabuleiro que, na década de 1970, usavam como tema um cenário inspirado justamente nos livros da trilogia O Senhor dos Anéis. Com o tempo a ambientação dos RPGs se diversificou, indo da ficção científica sombria de Cyberpunk 2020 (inspirado em romances como Neuromancer) ao terror psicológico de Vampiro - A Máscara (que bebe da fonte de Anne Rice e suas crônicas vampirescas). Entretanto, o maior sucesso de todos continua sendo Dungeons & Dragons, com seu universo de fantasia medieval, que inclusive deu origem ao cultuado desenho animado dos anos 80 Caverna do Dragão, onde a misteriosa chegada de um grupo de garotos a um estranho universo alternativo serve como alegoria para uma partida de RPG.

E, já que estamos falando em desenhos animados, porque não citar também o grande sucesso dos animes Cavaleiros do Zodíaco, que apresenta como um de seus personagens o próprio Siegfried de A Canção dos Nibelungos? Com apenas 14 anos (pois é costume nos mangás os personagens terem a mesma idade do público ao qual a obra se destina), o personagem denominado Siegfried de Duhbe tem basicamente a mesma história das versões anteriores de Siegfried, tendo se tornado invulnerável ao se banhar com o sangue de um dragão. Embora inserido numa trama que mistura várias mitologias, envolvendo deuses e lutas grandiloqüentes, ele é rodeado pelos mesmos personagens daquelas versões, incluindo Kriemhild, Hagen, Brunhilde (desta vez chamada de Hilda, na dublagem brasileira) e até mesmo Mime e Alberich, que no anime não são anões, e sim guerrreiros poderosos, como quase todos os personagens do desenho.

É assim que chegamos, finalmente, ao neo-zelandês Peter Jackson, que, vindo de uma consolidada carreira de diretor de hilários filmes trash, como Náusea Total e Fome Animal, aportou em Hollywood com o sonho de refilmar King Kong, seu filme favorito, e acabou se tornando o responsável pela mais espetacular adaptação de uma obra de fantasia medieval até hoje, a trilogia cinematográfica O Senhor dos Anéis. A história já havia sido filmada antes pelo controverso animador Ralph Bakshi (mais conhecido por ter realizado a versão cinematográfica de Fritz the Cat, do cartunista underground Robert Crumb) e até George Lucas havia produzido uma espécie de versão da história, Willow na Terra da Magia, sobre as aventuras de um anão num mundo de fantasia medieval (isso sem contar que na trilogia Star Wars ele já havia feito claras referências à obra). No entanto, o grau de realismo e fidelidade à obra original conferidos por Peter Jackson à sua versão conseguiu conquistar fãs de todas as idades, mesmo entre pessoas que jamais haviam ouvido falar dos livros, e conquistou até mesmo um Oscar de melhor filme, algo nunca pensado antes para uma obra de fantasia. Sua versão de King Kong não teve o sucesso merecido, mas não é exagero dizer que ele conseguiu mudar a face do cinema. Depois de décadas sendo considerada um gênero exclusivamente infantil, representada no cinema quase sempre por filmes tolos e descompromissados, a aventura épica está cada vez mais presente nas telas, de Tróia e Rei Arthur a Crônicas de Nárnia e Eragon.

Assim, quem sabe em breve não será comum vermos filmes do gênero sendo tratados com o mesmo respeito com que Fritz Lang tratou a lenda dos nibelungos em sua versão?



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Quinta-feira , 1 de Junho de 2006


A Influência dos Seriados Norte-Americanos nos Similares Nacionais


Recentemente fiquei sabendo que uma amiga minha, a atriz Márcia Henrique Martins, que já apareceu na TV em comerciais como aquele da bebida Dreyer onde uma gordinha (minha amiga) cai de um prédio em cima de um cachorro, iria fazer uma participação num episódio do seriado A Diarista. Seria no segundo episódio da nova temporada do seriado. Logo preparei meu videocassete para gravar o episódio, e gravei inclusive as chamadas, onde minha amiga já aparecia. Comecei a assistir o programa, e o primeiro bloco foi ótimo. O título do episódio era Fumo Zero. Minha amiga até apareceu bastante, e, como sempre, estava muito engraçada, no papel de uma fumante gordinha que se apresentava entre os clientes de uma psicoterapeuta especializada em tratamento anti-tabagista (Ilana Kaplan, famosa por sua participação na peça Terça Insana e por ter sido a primeira atriz a ficar no lugar de Cláudia Gimenez como empregada da família no extinto seriado Sai de Baixo, sendo substituída por Márcia Cabrita logo no episódio seguinte e, mais tarde, por Cláudia Rodrigues, que já havia interpretado uma diarista na Escolinha do Professor Raimundo, substituindo Fafi Siqueira, e aproveitaria muito dessas personagens na criação de seu seriado), em cujo consultório a diarista Marinete (Cláudia Rodrigues) iria trabalhar.

Logo teve início o segundo bloco do programa, onde Marinete, viciada em cigarro por obra de sua amiga macumbeira Dalila (Cláudia Melo, veterana atriz de filmes de Mazzaroppi), se submeteu a outro trabalho de macumba para largar o vício. Por um descuido de Dalila, o trabalho era direcionado a alguém do sexo masculino, e, assim, Marinete largou o vício mas passou a se comportar como homem. Imediatamente me lembrei de um episódio de Friends, Aquele com a Fita de Hipnose, cuja premissa era exatamente a mesma, com a diferença de que, em lugar do absurdo trabalho de macumba, o que havia era uma fita que Chandler (Matthew Perry) ouvia durante o sono com o objetivo de largar o vício de fumar, sem saber que a fita era direcionada a alguém do sexo feminino, o que fazia com que o personagem passasse a se comportar como mulher... Ou seja, o episódio de A Diarista acabou sendo um plágio descarado de Friends!

(continua no post abaixo)


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A Influência dos Seriados Norte-Americanos nos Similares Nacionais

(continuação do post acima)

É fato que todos os seriados da Globo copiam algumas situações de seriados norte-americanos, principalmente Friends e Seinfeld. Até no cultuado Os Normais houve muito disso. Um exemplo claro dessa situação foi o episódio de A Grande Família entitulado Seis Por Meia Dúzia, em que a Bebel (Guta Stresser), depois de ter se separado do Agostinho (o hilário Pedro Cardoso), arranjou um namorado igual a ele (interpretado pelo mesmo ator), apenas com a diferença de ter um bigode... Exatamente o que aconteceu num episódio de Friends, Aquele com Russ, em que a Rachel (Jennifer Aniston), depois de ter se separado do Ross (David Schwimmer), arranjou um namorado também interpretado pelo mesmo ator, apenas com a diferença de ter um bigode, justamente! Até mesmo o esquema de usar as palavras "aquele com" no título dos episódios é usado em A Diarista, não em todos os episódios, como em Friends, mas em grande parte.

A impressão que me dá é de que os autores consideram que o público não assiste Friends porque não passa na Globo. É como se estivessem fazendo uma versão nacional das piadas do programa. É um péssimo costume de autores brasileiros, aliás, já antigo. No início do século XX houve até um personagem brasileiro de quadrinhos chamado Chiquinho, que era simplesmente uma versão nacional de um personagem norte-americano! O personagem original, Buster Brown, havia sido criado por Richard Fenton Outcault, o mesmo criador do célebre Yellow Kid (Menino Amarelo), considerado o primeiro personagem de quadrinhos. Como os quadrinhos norte-americanos ficaram impossibilitados de chegar ao Brasil devido à Primeira Guerra Mundial, Chiquinho foi durante muitas décadas tido como um personagem nacional, um dos mais populares da revista O Tico-tico, sendo desenhado por quadrinhistas brasileiros e, inclusive, tendo um personagem genuinamente nacional acrescentado ao elenco, o garoto negro Benjamin, companheiro do protagonista nas travessuras.

Voltando aos programas de TV, o próprio Pânico na TV é praticamente uma versão nacional de Jackass, e parece que ninguém percebe que quase todos os quadros são baseados em episódios do programa... É só ver Jackass - O Filme para notar! Estão lá os quadros Hora da Morte, Caminhão do Faustão, Ditados Populares... A apresentadora Sabrina até já comentou numa entrevista que o Emílio Surita, idealizador do programa, manda vir fitas de Jackass dos EUA para tirar idéias de lá. É verdade que o Pânico na TV também tem suas próprias sacadas, como a crítica inteligente à cultura nacional, à indústria das celebridades e ao próprio meio televisivo, inclusive com a divulgação de factóides em que a própria imprensa acredita, e, principalmente, com uma auto-ironia que muita gente nem chega a perceber (o que, infelizmente, acaba fazendo com que o programa seja visto apenas em seu nível mais básico, que é justamente o do pastelão grosseiro e descerebrado estilo Jackass). No fundo, o programa acaba tendo mais conteúdo do que aquele em que se baseia, e não é à toa que a dupla Repórter Vesgo & Sílvio Santos (Rodrigo Scarpa & Ceará/Wellington Muniz), hoje, é tão celebrada (ainda mais com a visível falta de criatividade atual de seus principais concorrentes, os humoristas do Casseta & Planeta). Mas, reparando apenas no nível mais básico do Pânico, de fato os poucos quadros que não são diretamente adaptados de Jackass parecem ter sido inspirados no Punk´d, apresentado pelo ator Ashton Kutcher, e em outros programas da MTV dos EUA.

Em suma, acho que os autores nacionais deveriam ter mais autonomia e menos cara de pau...


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Sexta-feira , 21 de Abril de 2006


A Derrota de Bang Bang e a Vitória da Banalização nas Novelas


Simplesmente não entendo o que as pessoas viram de tão ruim em Bang Bang. Concordo que escalar uma atriz ainda iniciante logo como protagonista foi um erro, mas a novela não foi só a Fernanda Lima (que até melhorou muito a interpretação ao longo da novela). E todos os outros atores, muitos com personagens hilariantes? E o Zorro aposentado, vivendo como cabeleireiro ao lado do índio Tonto? E o inventor, um homem da ciência, casado com uma beata fanática? E o contador com delírios narcisistas? E o assassino chinês apaixonado por uma prostituta japonesa? E o falso xerife, que morria de medo dos presos da cadeia e acabava pedindo ajuda a eles mesmos para manter seu cargo de prestígio na cidade? E o melhor de tudo, os pistoleiros Jesse James e Billy the Kid, disfarçados de senhoras para fugir da forca? E as inúmeras citações de clássicos do cinema, como Quanto Mais Quente Melhor (de Billy Wilder); da literatura, como O Inspetor Geral (do russo Nicolai Gógol); e até da música, como Penny Lane (dos Beatles)? Só o fato de ter a parte inicial do primeiro capítulo toda narrada em forma de desenho animado japonês já foi genial. A abertura, então, em desenho animado 3D, fazendo referência ao nostálgico brinquedo Playmobil Velho Oeste, foi uma das coisas mais geniais que apareceram na TV nos últimos dez anos!

A Globo pôs no ar a novela mais inovadora desde Vamp, e o que o público fez? Mudou de canal para ver Prova de Amor, uma novela exatamente igual ao que a Globo costuma fazer de pior! E ainda apareceu gente dizendo que a Globo já era, e que quem não mudou de canal não mudou porque "se acostumou tanto com a Globo que se fecha para coisas novas"... Absurdo! Se fosse o contrário, com a Globo passando uma novela igual às de sempre e a Record passando uma novela inovadora, aí sim faria sentido mudar de canal para fazer uma mudança, mas, em vez disso, o que o público estava fazendo era mudar de canal para ver a mesma coisa de sempre! Isso chega a ser ridículo... Mudar de canal para não ver nada novo! Será que as pessoas só gostam de novelas iguais?

Criticaram Bang Bang dizendo que não tinha "história". E que história tinha Prova de Amor? Uma história completamente banal, já vista milhares de vezes em novelas. As mesmas mocinhas sofredoras de sempre, os mesmos dramas familiares... Qual é a vantagem de uma história assim? E quem disse que um filme, um livro, uma peça de teatro ou uma novela precisa ter uma história certinha, linear? Nunca ouviram falar de humor nonsense? Não gostaram de Corra que a Polícia vem Aí?


(continua no post abaixo)


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A Derrota de Bang Bang e a Vitória da Banalização nas Novelas

(continuação do post acima)


Sei lá, talvez o público principal de novelas atualmente não goste mesmo de humor nonsense, nem de cinema, nem de literatura, nem de mais nada, e por isso não tenha entendido as piadas de Bang Bang... Não foi à toa que, nas primeiras chamadas de Prova de Amor, a Record colocou como uma desvantagem o fato da novela da Globo ser inspirada no cinema, chamando o público para ver o que seria uma novela "de verdade"...

Vi até pessoas pensando que Bang Bang pretendia realmente reconstituir o período histórico do Velho Oeste americano, e chegando a criticar a novela por não ser realista, ou por retratar algo que não é brasileiro. Não entenderam que o cenário da novela era apenas uma alegoria da sociedade brasileira moderna? Será que, quando vêem Os Flintstones, essas pessoas também ficam fazendo críticas à falta de realismo?

Depois, criticaram também a novela com base no fato de ter atores pedindo para sair do elenco... Embora eu não possa deixar de apontar que isso foi uma falta de profissionalismo (se é que o motivo da saída deles foi realmente o que se especulou), não era de se surpreender que muitos dos atores não quisessem mais fazer Bang Bang, afinal, com a audiência baixa, tudo que estivesse ligado à novela era igualmente considerado "em baixa"! Se o público não tivesse preferido a banalidade de Prova de Amor, é evidente que os atores de Bang Bang não teriam pedido para sair dessa maneira (se é que realmente pediram). O próprio autor da novela, o cronista Mário Prata, acabou saindo para dar lugar ao Carlos Lombardi, autor de Kubanacan, e aí, sim, eu concordo que a novela virou uma bagunça. O Carlos Lombardi mudou muita coisa na novela para adaptar o texto ao estilo dele, que é muito diferente do estilo do Mário Prata. De uma hora para outra os homens começaram a tirar a camisa em cena, e todos os diálogos ficaram maliciosos. Era o estilo do Carlos Lombardi, que deu certo em novelas anteriores. Era a Globo tentando recuperar a público que perdeu. E parece que até funcionou, pois a audiência acabou subindo depois das mudanças! A novela piorou... Ficou menos inovadora, muito parecida com outras novelas do Carlos Lombardi... Mas, ainda assim, era mil vezes melhor do que a novelinha da Record. E não era por ser da Globo.

Seria ótimo a Globo ter uma concorrente à altura, com novelas de qualidade e a audiência merecida, quebrando esse monopólio todo, mas mudar de canal só por mudar, para ver uma novela pior em todos os sentidos, é uma tremenda bobagem. Novela inovadora, mesmo, foi Metamorphoses, justamente da Record, mas essa não deu audiência! E o que a Record fez? Acabou a novela de repente, sem nem produzir um capítulo final. Se Bang Bang fosse na Record, certamente acabaria assim, também. Até parece que o Edir Macedo é mais bem-intencionado que a Globo... Tanto um quanto o outro só querem saber de dinheiro, e o bispo chega a ser pior!

De qualquer maneira, quem sabe depois de se firmar na produção de novelas iguais às piores já feitas pela Globo a Record ainda consiga fazer algo bom e inovador? Aí sim eu mudaria de canal para a Record. Do mesmo modo como eu mudava para ver Arquivo X, quando passava na emissora do bispo. Mas, do jeito que a coisa anda indo, acho que vou é parar de ver novelas de vez, porque, depois da derrota de Bang Bang, o mais provável é que tanto a Globo quanto a Record invistam cada vez mais em novelas iguais às de sempre... Eu desisto. Nunca mais vamos ver algo como Que Rei Sou Eu?, porque o público avançado que deu audiência a essa novela nos anos 80 hoje em dia só vê TV paga. Isso é péssimo, porque vamos nos dividir cada vez mais entre um público que só vê novelas banais na TV aberta, com extremo conservadorismo e preguiça de pensar, e um outro que só vê seriados importados na TV paga, com imenso preconceito diante de toda e qualquer novela (um gênero que, a princípio, nem é muito diferente do gênero seriado, mas acaba se tornando mais alienante justamente porque autores e público insistem na infindável repetição das tramas)... Não vamos mais ter programas de teledramaturgia bons ou inovadores produzidos no Brasil.

E eu, como estou sem TV paga, acho que vou ter de ficar com o Pânico na TV, do "canal que mais cresce no Brasil"!


PS: Apesar de tudo, Bang Bang foi, sim, um enorme sucesso entre um público seleto de fãs fiéis, gerando inclusive uma comunidade no Orkut com mais de onze mil membros, a maior comunidade sobre novelas até hoje, num raro caso de novela cult. E, claro, ainda há alguns (poucos) programas inteligentes na Globo, como o seriado Minha Nada Mole Vida, o mais novo herdeiro do humor satírico da saudosa TV Pirata. Mas até quando?


Postado por Criatura Pop às 20h30 [] [Envie esta mensagem]