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MEU PERFIL


Nome: Rubens Duprat

Quem Sou Eu:
Aluno de Letras na USP, webdesigner, revisor de textos, auxiliar administrativo num hospital, quadrinhista cheio de projetos mas atualmente parado por falta de tempo, cineasta iniciante, estudante de animação 3D e 2D, péssimo dançarino, fã absoluto da cultura pop e namorado apaixonado de uma garota muito meiga!





































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PERFIL DO
MEU AVATAR



Apelido: Criatura Pop

Quem É Ele:
Como todo avatar, é a representação de seu criador, no caso eu, em outros mundos, no caso os mundos da Internet e da cultura pop em geral. No entanto, como às vezes parece que eu passo mais tempo nesses mundos do que no mundo que chamamos de real, chego a imaginar que talvez eu é que seja o avatar dele...









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Histórico:
25/06/2006 a 01/07/2006
28/05/2006 a 03/06/2006
16/04/2006 a 22/04/2006












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Meus 20 Filmes Favoritos:

1. Quero Ser Grande

2. SOS Tem um Louco Solto no Espaço

3. O Gabinete do Dr. Caligari

4. De Volta Para o Futuro Parte 2

5. Curtindo a Vida Adoidado

6. Tempos Modernos

7. Janela Indiscreta

8. Monty Python O Sentido da Vida

9. Tudo Que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo Mas Tinha Medo de Perguntar

10. O Mágico de Oz

11. Cantando na Chuva

12. Nos Tempos da Brilhantina

13. ...E o Vento Levou

14. Os Fantasmas Se Divertem

15. O Panaca

16. Harry e Sally Feitos Um Para o Outro

17. O Auto da Compadecida

18. Cidade de Deus

19. O Senhor dos Anéis O Retorno do Rei

20. Kill Bill Volume 1







Homenagem:

Bussunda
1962-2006

Humorista de peso, em todos os sentidos. Um dos criadores da TV Pirata e do Casseta & Planeta. Dono de uma expressão facial hilária. Vai deixar saudades.















































































































   



































































































Clique e leia a minha mais recente HQ:






























Próxima atualização prevista deste blog: Segunda-feira , 7 de janeiro de 2008
(Devido aos meus estudos de animação 3D, o blog não terá atualizações em 2007)

Próximos assuntos possíveis:
A História da TV Pirata
Mel Brooks, o Rei da Paródia


































Sábado , 1 de Julho de 2006


Do Anel dos Nibelungos ao Senhor dos Anéis


O poema épico A Canção dos Nibelungos é considerado a Ilíada germânica. Enquanto o poema grego foi escrito por alguém identificado pelo nome de Homero por volta de 725 A.C., seguido pela não menos célebre obra Odisséia, A Canção dos Nibelungos é datada do século XII D.C., e seu autor permanece anônimo. Nesse poema é contada a história do lendário cavaleiro Siegfried. Capaz de feitos grandiosos como derrotar um dragão, tornando-se invencível após banhar-se em seu sangue, e se apoderar do infindável tesouro dos anões conhecidos como nibelungos, Siegfried não sabe que um destino terrível o espera a partir do momento em que se apaixona pela doce e bela princesa Kriemhild do reino de Worms. Para desposá-la, o herói faz um trato com o rei Gunther de ajudá-lo a conquistar a rainha guerreira Brünhild, mesmo usando de trapaça para fazê-la acreditar que ele fosse digno de ser seu esposo. Os casamentos acontecem, mas Brünhild, mais tarde, ao descobrir que fora enganada pelos dois, exige ao rei a cabeça do cavaleiro. É quando o leal soldado Hagen se incumbe de assassinar Siegfried, o que faz aproveitando-se de seu ponto fraco, a única região de seu corpo que não havia sido banhada pelo sangue do dragão por estar coberta por uma folha. A morte de Siegfried, então, desencadeia em Kriemhild uma fúria vingativa que a leva a matar não apenas Hagen, mas também sua própria família, com a ajuda de Átila, o Huno.

A saga de Siegfried vem sendo contada oralmente desde os primórdios da civilização alemã. Foram várias as versões escritas, incluindo, além do poema A Canção dos Nibelungos, as versões nórdicas Edda Poética, Edda em Prosa e Saga dos Völsung, que diferem daquela principalmente por se aprofundar muito mais na história do lendário cavaleiro.

No entanto, a versão mais famosa talvez seja a ópera alemã O Anel dos Nibelungos, composta por Richard Wagner no século XIX, cuja principal fonte são justamente essas versões nórdicas. Dividida em quatro partes (O Ouro do Reno, As Valquírias, Siegfried e Crepúsculo dos Deuses), a ópera apresenta a gênese da humanidade e a decadência dos deuses através da história de um anel amaldiçoado capaz de dar grande poder a quem o possuir. No intuito de recuperar o anel perdido, Odin cria uma raça de semideuses da qual se sobressaem os gêmeos Siegmund e Sieglinde, que se tornam pais de Siegfried. Como punição pela relação incestuosa, Odin manda que Brünhild, aqui uma valquíria, mate Siegmund, mas ela decide poupá-lo, e é punida perdendo sua imortalidade e sendo aprisionada no topo de uma montanha envolta por chamas. Siegfried, já crescido, é quem a resgata, e os dois se apaixonam. Porém, ele já estava de posse do anel amaldiçoado, tomado do dragão Fafnir, e isso desencadeia a tragédia que tem início na quarta parte da ópera, quando ele toma uma poção mágica oferecida por Hagen, aqui meio-irmão de Gunther e filho do anão Alberich, que havia cunhado o anel. A poção faz com que Siegfried se esqueça de Brünhild e se apaixone pela irmã de Gunther, aqui chamada de Gutrune. Como em A Canção dos Nibelungos, o herói ajuda Gunther a se casar com Brünhild e acaba morto por Hagen, mas a ópera termina com Brünhild se jogando na pira funerária para morrer junto de Siegfried. O rio Reno transborda até eles e o meio-anão Hagen morre afogado ao pular na água tentando recuperar o anel. O céu em chamas simboliza o Ragnarok, ou seja, o fim do reino dos deuses.

Essa versão foi a obra que mais influenciou o inglês J.R.R. Tolkien, estudioso de língüas antigas e professor da Universidade de Oxford, na criação da célebre trilogia O Senhor dos Anéis, publicada pela primeira vez entre 1937 e 1955, na qual, inclusive, a criatura Gollum termina de maneira semelhante a Hagen, mergulhando na lava de um vulcão na tentativa de recuperar o anel amaldiçoado.


(continua no post abaixo)


Postado por Criatura Pop às 21h50 [] [Envie esta mensagem]




Do Anel dos Nibelungos ao Senhor dos Anéis

(continuação do post acima)


Em 1924, o cineasta alemão Fritz Lang decide fazer sua versão da lenda dos nibelungos. Já consagrado por ter dirigido sucessos de público e crítica como A Morte Cansada (onde a Morte já aparece personificada, muito antes do também clássico O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman) e Dr. Mabuse, o Inferno do Crime (primeiro de uma série de thrillers policiais), ele realiza uma verdadeira superprodução para os moldes da época, Os Nibelungos um épico de mais de três horas de duração, dividido em duas partes: A Morte de Siegfried e A Vingança de Kriemhild. Um filme mudo e bastante longo, sim, mas ainda hoje empolgante, repleto de imagens belíssimas, com destaque para o jogo expressionista de luz e sombras, com utilização da oposição entre claro e escuro para representar o estado emocional dos personagens. Outro destaque é o jogo de linhas, usado com o mesmo objetivo, tanto nos figurinos quanto nos cenários. Fritz Lang, antes de se tornar diretor, havia sido arquiteto e pintor, e usava essas habilidades com maestria em seus filmes. Os Nibelungos é um marco, chegando a chamar a atenção do ditador Adolf Hitler, que quer Fritz Lang como diretor dos filmes de propaganda nazista, motivo pelo qual o cineasta foge do país, pois, sendo um humanista, odiaria compactuar com o nazismo. Sua ex-esposa, Thea von Harbou, no entanto, co-autora de muitos de seus roteiros, aceita o convite de Hitler.

Embora Os Nibelungos se baseie quase que em sua totalidade no livro A Canção dos Nibelungos, reproduzindo a fábula com muita fidelidade, a apresentação de Siegfried no início do filme é mais próxima da ópera de Wagner. O herói não aparece com seus pais no reino de Xanten, e sim entre os anões, aprendendo a forjar espadas com Mime, personagem que não existe no livro e que, na ópera, foi responsável por sua criação a partir da morte de seus pais. Siegfried não chega a matar Mime como na ópera, mas se zanga com os anões quando eles zombam de seu desejo de se casar com Kriemhild. O filme mostra o caminho de Siegfried até Worms, incluindo seus célebres feitos de matar o dragão, tornando-se invencível após banhar-se em seu sangue, e de se apoderar do tesouro dos nibelungos, episódios que, no livro, são apenas mencionados pelo personagem Hagen.

Com relação às damas Kriemhild e Brunhild, são poucas as diferenças entre o livro e o filme. A principal diferença é que o filme poupa a personagem Kriemhild de ser mostrada exatamente como a assassina cruel que aparece no livro, embora não chegue a legitimar suas ações. No filme, ela é mais romantizada, mesmo na segunda parte, quando se transforma de princesa meiga em rainha vingativa. Tanto é assim que, no final, seu marido Átila não fica tão horrorizado diante do que ela fez e ela não é assassinada por isso como no livro. Em vez disso, ela morre espontaneamente, e Átila apenas lamenta a tragédia, o que ameniza um pouco o acentuado machismo da história original. Além disso, no filme não é Kriemhild quem mente dizendo que foi Siegfried quem tirou a virgindade de Brunhild, e sim a própria Brunhild.

Já Hagen, o mais sábio e poderoso vassalo do rei Gunther, no filme é comparado diretamente ao deus Wotan, a começar por seu visual, que em nada lembra o meio-anão que aparece na versão de Wagner. Wotan, de acordo com a mitologia germânica, é o deus da sabedoria, da guerra, da morte e da caçada. Diz a lenda que Wotan perdeu seu olho nas águas da fonte de Mimir para ganhar a sabedoria dos séculos. Ele possui um par de corvos, Huginn e Muninn, associados respectivamente a pensamento e memória, que viajam pelo mundo para lhe trazer informações. Wotan é também relacionado à lenda da Caçada Selvagem, que diz respeito a um grupo de caçadores fantasmas que, ao ser visto nos céus, é o prenúncio de alguma catástrofe. Wotan seria o líder desses caçadores. O personagem Hagen, no filme, é ligado a Wotan não apenas por aparecer como um guerreiro de um olho só, mas também por estar associado à sabedoria, à guerra, à morte, à caçada e até mesmo aos corvos, que aparecem num sonho de Kriemhild perseguindo uma pomba, como prenúncio do assassinato de Siegfried por Hagen e Gunther. É o próprio Hagen quem idealiza e comanda a falsa caçada que vai levar ao assassinato e, por extensão, à guerra iniciada por Kriemhild contra seus próprios familiares.

Curiosamente, o próprio Fritz Lang, que logo em seguida se consagraria ainda mais dirigindo a ficção científica seminal Metrópolis e o suspense M, O Vampiro de Dusseldorf, também possuía um detalhe físico que lembrava o deus Wotan: era cego de um olho, devido a um acidente durante a Primeira Guerra Mundial, na qual havia lutado como oficial do exército austro-húngaro, tendo escrito seus primeiros roteiros de cinema enquanto se recuperava. Um de seus temas mais constantes é o do ser humano pacato levado a se tornar furioso numa vingança sem sentido, como Kriemhild em Os Nibelungos.

Mas não foram só Fritz Lang e J.R.R. Tolkien que se consagraram ao apresentar suas versões da lenda germânica, em contraste com a de Richard Wagner. Toda uma nova forma de arte e lazer, o RPG (sigla de roleplaying game, que significa jogo de representação) surgiu a partir de jogos de tabuleiro que, na década de 1970, usavam como tema um cenário inspirado justamente nos livros da trilogia O Senhor dos Anéis. Com o tempo a ambientação dos RPGs se diversificou, indo da ficção científica sombria de Cyberpunk 2020 (inspirado em romances como Neuromancer) ao terror psicológico de Vampiro - A Máscara (que bebe da fonte de Anne Rice e suas crônicas vampirescas). Entretanto, o maior sucesso de todos continua sendo Dungeons & Dragons, com seu universo de fantasia medieval, que inclusive deu origem ao cultuado desenho animado dos anos 80 Caverna do Dragão, onde a misteriosa chegada de um grupo de garotos a um estranho universo alternativo serve como alegoria para uma partida de RPG.

E, já que estamos falando em desenhos animados, porque não citar também o grande sucesso dos animes Cavaleiros do Zodíaco, que apresenta como um de seus personagens o próprio Siegfried de A Canção dos Nibelungos? Com apenas 14 anos (pois é costume nos mangás os personagens terem a mesma idade do público ao qual a obra se destina), o personagem denominado Siegfried de Duhbe tem basicamente a mesma história das versões anteriores de Siegfried, tendo se tornado invulnerável ao se banhar com o sangue de um dragão. Embora inserido numa trama que mistura várias mitologias, envolvendo deuses e lutas grandiloqüentes, ele é rodeado pelos mesmos personagens daquelas versões, incluindo Kriemhild, Hagen, Brunhilde (desta vez chamada de Hilda, na dublagem brasileira) e até mesmo Mime e Alberich, que no anime não são anões, e sim guerrreiros poderosos, como quase todos os personagens do desenho.

É assim que chegamos, finalmente, ao neo-zelandês Peter Jackson, que, vindo de uma consolidada carreira de diretor de hilários filmes trash, como Náusea Total e Fome Animal, aportou em Hollywood com o sonho de refilmar King Kong, seu filme favorito, e acabou se tornando o responsável pela mais espetacular adaptação de uma obra de fantasia medieval até hoje, a trilogia cinematográfica O Senhor dos Anéis. A história já havia sido filmada antes pelo controverso animador Ralph Bakshi (mais conhecido por ter realizado a versão cinematográfica de Fritz the Cat, do cartunista underground Robert Crumb) e até George Lucas havia produzido uma espécie de versão da história, Willow na Terra da Magia, sobre as aventuras de um anão num mundo de fantasia medieval (isso sem contar que na trilogia Star Wars ele já havia feito claras referências à obra). No entanto, o grau de realismo e fidelidade à obra original conferidos por Peter Jackson à sua versão conseguiu conquistar fãs de todas as idades, mesmo entre pessoas que jamais haviam ouvido falar dos livros, e conquistou até mesmo um Oscar de melhor filme, algo nunca pensado antes para uma obra de fantasia. Sua versão de King Kong não teve o sucesso merecido, mas não é exagero dizer que ele conseguiu mudar a face do cinema. Depois de décadas sendo considerada um gênero exclusivamente infantil, representada no cinema quase sempre por filmes tolos e descompromissados, a aventura épica está cada vez mais presente nas telas, de Tróia e Rei Arthur a Crônicas de Nárnia e Eragon.

Assim, quem sabe em breve não será comum vermos filmes do gênero sendo tratados com o mesmo respeito com que Fritz Lang tratou a lenda dos nibelungos em sua versão?



Postado por Criatura Pop às 21h50 [] [Envie esta mensagem]